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terça-feira, 16 de maio de 2017

O Irão [pelos nossos olhos]


O Irão foi a procura do inexplorado, de terras e costumes intocados por aquela enchente de turistas que é inevitável, mas cansativa. Foi a procura da desmistificação deste povo incompreendido. Foi a procura dos contos d’As Mil e Uma Noites. Foi o encontro com o grande Império Persa.

                                                   Khalvat, Golestan Palace, Tehran


O Povo
Foram vários os iranianos que nos perguntaram “Porquê o Irão?” Nunca é fácil escolher um destino de viagem. Se a decisão for acertada, por ventura a experiência irá encher-nos a alma até ao ano seguinte; se não, será mais um ano de eterna insatisfação. O Irão foi a procura do inexplorado, de terras e costumes intocados por aquela enchente de turistas que é inevitável, mas cansativa. Foi a procura da desmistificação do que nos é imposto pela comunicação social. Habituados aos filtros das redes sociais, parece-me que eles próprios são capazes de filtrar com maior perspicácia as notícias que lhes chegam sobre o ocidente, do que nós próprios.  Têm uma curiosidade insaciável sobre a nossa cultura, uma sede de receber mais e mais turistas para obter mais e mais informação. “oh, Portugal?!”, repetem eles após lhes informarmos de onde vimos. O sorriso abre-se de orelha a orelha e o nome soletrado é sempre o mesmo - “Cristiano Ronaldo”. A maioria não sabe sequer onde fica este cantinho à beira mar plantado, mas dizem que é boa gente. A pergunta seguinte é previsível - “O que acham do Irão?” Eles ficavam tão encantados com a nossa resposta, como nós estávamos encantados com eles. Não só encantados, mas surpresos e agradecidos com a disponibilidade e hospitalidade que aquele povo nos foi capaz de oferecer. 


                                                      Naqsh-e Jahan Square, Isfahan

Não há as habituais lojas de souvenirs mas, de cidade a cidade, fomos acumulando presentes, números de whatsApp e moradas - “Quando voltarem ficam em nossa casa”, diziam eles. Perdemos a conta de quantos gelados, xícaras de chá e golāb (habitual refresco de verão feito com água de rosas) nos ofereceram. Ensinaram-nos que o torrão de açúcar se derrete na boca com o chá quente, e que mais um torrão de açúcar nunca é demais. Conduziram-nos de ponta a ponta da cidade para que pudéssemos, uma vez mais, comer o nosso gelado favorito faloodeh shirazi antes de deixar o Irão. Pararam numa coffee shop após despropositadamente mencionarmos que o seu chá era o nosso café. Transportaram-nos de taxi sem cobrar dinheiro (nunca imaginei que neste planeta tal fosse possível). E paralisaram meia cidade para tentarem perceber que queríamos jantar num restaurante típico, difícil de achar naquela zona, acabando por nos conduzir até lá. Desenganem-se aqueles que pensam que falo apenas de uma pessoa. Foram situações isoladas que vivenciamos por todo o país.


                                    Muqarnas, Jaame' Abbasi Mosque, Isfahan

A azáfama
Apanhar um transporte público intercidades é tudo menos enfadonho. Aliás é tão emocionante como andar de táxi em hora de ponta, atravessar a rua, ou simplesmente comtemplar a complexidade do tráfego de motocicletas iranianas com estampas da BMW. O comércio da venda de bilhetes de autocarro é algo parecido com o que podemos encontrar no mercado do Bolhão. Enquanto o motorista atravessa a cidade, os dois auxiliares dependuram-se na porta, ainda aberta, e vão angariando clientes entoando em bom som o nome do destino com alguma musicalidade. Nós, turistas intangíveis, normalmente sós, eramos colocados na primeira fila sem que o banco do lado fosse ocupado. No entanto, o jogo das cadeiras começava rapidamente - enquanto o auxiliar fosse distraído com a sua xicara de chá, iam pulando para mais perto de nós, olhando de quando em quando disfarçadamente.

                                                               Vakil Bazaar, Shiraz

O Império
Eles são os primeiros apreciadores do seu império. Mas alguém poderá ficar indiferente ao grande Império Persa?? Talvez tenham sido os contos d’As Mil e Uma Noites que a minha mãe me lia antes de deitar que me despertou este fascínio. Ainda assim, quando se entra na interminável Naqsh-e Jahan, situada no centro da cidade de Isfahan, percebe-se que as espectativas poderão sempre ser superadas. Esta praça, The Image of the World como é conhecida, é a segunda maior do mundo e é de uma riqueza singular. As duas mesquitas que alberga são uma das obras-primas da arquitetura persa que datam do Império Safávida. As suas entradas, ornamentadas com muqarnas, abóbadas em favo de mel, perfeitamente geométricas em diferentes tons de azul e verde prenderam-me o olhar por toda uma manhã e ocuparam uma porção do meu cartão de memória. O grande palácio persa Āli Qāpu, juntamente com o grande lago, finalizam uma das imagens mais arrebatadoras desta viagem. De igual forma arrebatadora foi a visita noturna à imponente Shah-e Cheragh, King of the Light, em Shiraz. Refúgio e posterior túmulo dos irmãos Ahmad and Muhammad, filhos de Mūsā al-Kādhim, esta mesquita é exclusivamente revestida por mosaicos de espelhos de vidro que sob o foco de luz brilham como cristais. Os crentes que se olham ao espelho partido vêem-se fragmentados, distanciando-se assim dos seus bens terrestes, alcançando Deus. 

                                                             Shah-e Cheragh, Shiraz

                                                             Ali Ibn Hamzeh, Shiraz

Ainda em Shiraz ao nascer do dia, os raios de sol penetravam nos vitrais da Nasir-ol-Molk, ou mesquita rosa, criando um dos jogos de luz e cor mais fabulosos e fotogénicos de todo o Irão. Já em Teerão prendeu-nos a atenção o palácio Golestan, residência oficial da dinastia Qajar nos séculos XVIII e XIX. Dentre 17 estruturas que incluem palácios, museus e salões, o Khalvat (recanto) de Karim Khan com as suas arcadas e reflexos foi o que mais apreciamos. 


                                                              Nasir-ol-Molk, Shiraz

À medida que nos fomos afastando do golfo pérsico em direção a Este a paisagem foi-se alterando, tornando-se mais quente, árida e monocromática. Mas nem por isso menos bonita. A duas centenas de quilómetros do cruzamento com o Paquistão e Afeganistão chegamos a Bam, uma pequena cidade destruída por um terremoto que após 14 anos ainda se tenta reerguer. Rodeada por um extenso palmeiral a cidadela de Arg-e Bam é a maior construção de adobe, ou tijolos de lama, de todo o mundo. Património da UNESCO e localizada na Rota da Seda, Arg-e Bam data do império Arquimedina a 600 anos AC (ou anterior).


                                                     Me and my Mr. Right, Arg-e Bam

De facto, devido às adaptações ao clima árido do deserto fomos detetando mudanças na arquitetura. Chegados a Yazd fomos informados que deveríamos subir aos terraços da cidade velha e apreciar as rudimentares, mas inteligentes, torres de vento que tornam o Verão de 45°C menos insuportável. De igual forma, os subsolos possuem uma das maiores redes de qanats, antigo sistema de abastecimento de água, do mundo. Ainda mais me surpreenderam as yakhchals, estruturas coniformes usadas para armazenar o gelo obtido das montanhas adjacentes durante o inverno, mantendo-o até ao Verão. 


                                                              Maybod, Yazd Province

Após a conquista do Irão pelos Árabes, Yazd tornou-se o refugio migratório da população Zoroastra, religião que me era completamente desconhecida até à data. Os zoroastras, que veneram o fogo, eram incompreendidos e perseguidos pelos Árabes que os consideravam descrentes. Mas a verdade é que esta foi a primeira religião monoteísta em todo o mundo. Foi nas montanhas desérticas em redor de Yazd que este grupo religioso encontrou abrigo, comemorando ainda hoje, durante 4 dias por ano, a descoberta deste local sagrado pela princesa Nikbanou do Império Sassânida que pinga pinga - Chak Chak – água, dando-lhe assim nome.

                                                                     Cidadela, Yazd     


"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV”. Os dias foram tão intensos (de história, pessoas, quilómetros) que é difícil expô-los em meia dúzia de parágrafos. Tentamos absorver o máximo que o Irão nos deu e dar o melhor de nós. E prometemos, a quem deixamos pelo caminho, contar a nossa história, quebrar mitos e despertar a curiosidade dos mais céticos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Diletta ❥

Diletta is Italian (undoubtedly!)
Fashion Designer, specialized in Knitwear
Thinker from the birth, maker in the blood
She truly believes in Beauty! and Beauty is the definition of her first collection.

take a look...        




domingo, 6 de dezembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015

✧ shimmering ✧

Poderíamos estar ao ritmo dos anos 80, em plena era da Disco, onde o Glam Punk e Glam Rock agitavam as noites do Studio 54 em NY. Mas não. Aqueles tecidos doutrora, ousados, e de brilho calendoscópico, ganharam nova vida à luz dos nossos dias.

It could be the 80's, in the middle of the Disco era, when Glam Punk and Glam Rock energized New York's Studio 54. But not. Those daring luxury fabrics sprinkled with the kaleidoscopic shimmer, have gained new life in light of today's fashion.










segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Necklace Layering

A sobreposição de fiozinhos delicados mas diferenciados é um #musthave desta estação. 
O resultado é harmonioso e sofisticado!
Estou perdida de amores pela simplicidade da joalharia irem maisonirem, no entanto podemos encontrar por cá peças igualmente bonitas e mais acessíveis - em 'Cinco store'

A stack of delicate but original necklaces is a #musthave this season.
The result is harmonious and sophisticated!
I'm lost in love by the simplicity of the irem maisonirem jewelry, but around here we can also find beautiful pieces and more affordable - in 'Cinco store'




Make it simple, but significant!

domingo, 4 de outubro de 2015

Fur Extravaganza

A tendência Teddy Bear surgiu o ano passado para ornamentar as linhas minimalistas que predominaram nos últimos anos. Este ano reaparece ainda com mais impacto após a apresentação da coleção haute fourrure da Fendi, criada por Karl Lagerfield. Mas Karl não foi o único! A ativista pelos direitos dos animais Stella McCartney, usou pela primeira vez peças em pele na apresentação da sua colecção FW15. Afinal a antipatia e a resistência à falsa pele, ou pele sintética, tornou-se demasiado fútil e o 'Fur Free Fur' passou a conceito. Nas palavras da estilista "modern fake fur looks so much like real fur, that the moment it leaves the atelier no one can tell it's not the real thing. And I've struggled with that. But I've been speaking to younger women about it recently and they don't even want real fur. So I feel like maybe things have moved on (...)". A pele pode ser usada no fabrico completo da peça, habitualmente casacos, mas os apliques nos bolsos, colarinhos, sapatos e bolsas ganharam destaque este ano. 

Teddy Bear trend emerged last year to dress up the minimalist lines that prevailed in the recent years. It reappeared this year with even more impact after the presentation of the haute fourrure collection of Fendi, by Karl Lagerfield. But Karl was not the only one! The anti-fur activist Stella McCartney put faux fur on her catwalk for the first time this year. After all the antipathy and resistance to fake fur, or synthetic fur, seems futile and the 'Fur Free Fur' became a concept. "Modern fake fur looks so much like real fur, that the moment it leaves the studio no one can tell it's not the real thing. And I've struggled with that. But I've been speaking to younger women about it recently and they don't even want real fur. So I feel like maybe things have moved on (...)", she said. Fur can be used to manufacture the whole piece, such as overcoats, but gorgeous furry ornaments can be found in pockets, stoles, shoes and handbags.









segunda-feira, 14 de setembro de 2015

[Exploring Morocco] ATLAS: the people and landscapes

Se houve local que considerei integralmente genuíno em Marrocos foram as aldeias em torno da grande cordilheira do Alto Atlas. Na sua maioria são aldeias de barro, organizadas em Kasbahs - construções típicas de origem berbere, quadradas e com aspecto de forte, que no seu conjunto são chamadas de Ksar. Tive a felicidade de ver, mas não de fotografar, um menino a ajudar o pai a fabricar tijolos de abobe, feitos de argila misturada com água e palha, secos ao sol, que são posteriormente utilizados nestas construções. Habitualmente encontramo-las no sopé da montanha, à beira do rio, agora secos com o calor do verão.




A primeira atracção do percurso pelo Atlas foram as Gargantas do Todra, no vale que detêm o mesmo nome. No entanto, as Gargantas nunca chegaram a ser atracção, pelo menos para mim. Não quando as paisagens que antecederam foram tão arrebatadoras que tornaram aquela passagem estreita entre montanhas de 150 m de altura um tanto insignificante. É o rio Todra, que serpenteia pelas Gargantas, que dá vida ao vale. É ele que alimenta o imenso palmeiral que ali conseguiu crescer naquela terra árida e avermelhada, que camufla os imensos Kasbahs que constituem a cidade de Tinghir.



Mais adiante entramos no oásis fértil do vale do Dadès. Era dia de entrega de gás. À porta de cada casa encontravam-se duas ou três botijas de gás e uma criança entusiasmada, à espera de dar o sinal de alarme assim que avistasse o camião do gás. O camião vinha ao estilo marroquino, atulhado de garrafas cheias de gás, prontas para rebolar ao virar de uma curva mais apertada. Mais abaixo, junto ao rio, mães e filhas ceifavam o trigo para dentro de cestas de vime que seriam posteriormente carregadas pelo burro pela encosta acima. Já uma senhora com os seus 70 anos, com a cara queimada pelo sol e as costas vergadas até à cintura, trazia ela própria o cesto de vime. A julgar pelas costas, carregou aquele cesto a vida toda.




Mais a sul, já a caminho de Marraquexe, avistamos o Ksar mais famoso de Marrocos, hoje em dia habitado por apenas 12 famílias. Paramos a moto pouco acima de Ait-Ben-Haddou, junto a um dromedário que ali descansava. Ficamos a contemplar a aldeia, assim como a paisagem vermelho-ocre que a enquadrava, durante tempo indeterminado. Agora penso, não admira que tenha sido escolhida para rodar filmes como o Gladiador e Babel. Hoje é considerada Património Mundial da UNESCO.