domingo, 13 de setembro de 2015

[Exploring Morocco] golden Sahara

A viagem para o deserto foi exaustiva. Debaixo de um calor intenso, a desidratação era um desfecho demasiado previsível.  Sob vento, calor e paisagens desérticas, demorarmos 10 h para chegar a Merzouga. Lá para o meio da viagem surgiram as primeiras montanhas do grande Atlas e, até ao pôr do sol, as paisagens foram tão arrebatadoras que nos permitiram recarregar baterias. Lá chegados, noite escura, deparamo-nos com 8 km de estrada de terra e areia que nos separava do albergue do Sud, situado em plenas dunas do Sahara. Não tenho ideia de quanto tempo demoramos a fazer aquele caminho mas parecia não ter mais fim. Felizmente, assim que chegamos, aqueceram-nos o jantar e de seguida fomos dormir.



Acordamos no paraíso! Já tínhamos esquecido a turbulenta viagem do dia anterior e aproveitamos para dar uns mergulhos na piscina, de onde podíamos apreciar a magnifica paisagem do Sahara.




Uma hora antes do pôr do sol, com 3 litros de água cada um e preparados para acampar em pleno deserto, subimos no dromedário e seguimos em direcção ao acampamento na companhia de um simpático berbere local. Ao pôr do sol, demos descanso aos dromedários e sentamo-nos nas dunas de Erg-Chebbi para contemplar o momento. À chegada ao acampamento, ofereceram-nos o habitual e irrecusável chá de menta e aproveitamos para conversar um pouco e dar uns toques nos bongos marroquinos assim como algumas tentativas falhadas de tocar qraqeb (castanholas de metal). Nessa noite deitamo-nos com a promessa de que acordaríamos às 6 h para subir os 100 metros da grande duna de Erg-Chebbi antes que o sol brilhasse por de trás das montanhas que separam Marrocos da Argélia. 






Embora as minhas pernas não tenham permitido a chegada ao cume, os 70 ou 80 metros de altura foram suficientes para desfrutar um magnifico nascer do sol que dourou todo o Sahara até onde os meus olhos puderam alcançar. Um momento único que valeu cada ossinho que insistiu em doer após a viagem de volta de dromedário até ao albergue.



quinta-feira, 10 de setembro de 2015

[Exploring Morocco] the labyrinthine City of Fez

Ainda não tínhamos entrado na cidade velha e já fomos abordados em andamento por dois Mohameds e, cada um a seu tempo, "Portugueses?" "Tienen alojamiento?" "Ven conmigo. Te llevaré a un buen riad." Riads são habitações particulares convertidas em aconchegantes alojamentos turísticos. 
Depois de alojados, fomos jantar. Passamos a porta da medina de Fez el-Bali e, como o Ruben costuma dizer, começou o texas. Embrenhamo-nos numa feira onde se pode encontrar o ordinário e o impensável. É difícil de descrever por palavras, ou fotografias, a vida dentro da medina. Os gatos passeiam-se em frentes às montras de carne como se os cordeiros ali pendurados fossem cair a qualquer momento. As galinhas mantêm-se em fila para serem ali mesmo depenadas e vendidas logo de seguida. Os galos soltos exibem-se em frente ao que chamaríamos de restaurantes. Como no filme do Aladin, vendem-se "tâmaras e figos, tâmaras e pistaches". Assim como variadissímas especiarias das quais os comerciantes só sabem o nome em árabe. Há balcões de venda de ovos, azeitonas de todas as variedades, docinhos de mel de todas as formas, pimentos de todas as espécies. As crianças, com t-shirts da liga espanhola ou inglesa, andam numa correria, umas atrás das outras e passam o tempo a jogar ao pião. O movimento só pára para deixar passar os burros com mantas coloridas que lhes acolchoam o dorso, carregadinhos até já não poder passar pelos tetos mais baixos da medina.  






Embora a medina seja um labirinto, as personagens são sempre as mesmas. Bastou-nos 2 dias e tínhamos um conhecido em cada esquina. A grande contribuidora foi a barba do Ruben, que passou a ser chamado de Ali Baba. Na 1ª noite levaram-nos à casa do Ramza, um simpático miúdo marroquino cuja família terá convertido o terraço num restaurante. Nessa noite o Ramza serviu-nos tajines e jantamos com uma vista privilegiada sobre os curtumes e a mesquita Karaouine. Nessa mesma noite um rapaz com aspecto duvidoso enganou-nos a sair da medina; no dia seguinte, abordou-nos para pedir desculpa (mas já com os seus 2 dirhams no bolso, ou então, convertidos em haxe)!!
O dia seguinte estava reservado para passear pela medina e visitar os curtumes. Nesse dia andamos 19 km a pé, e penso que não valerá a pena dizer que em ~80% do tempo andamos perdidos. Depois de muita resistência da nossa parte, lá aceitamos a ajuda de dois rapazes que insistiam em dizer que o GPS na medina de nada nos servia (e com razão!!). Fomos atrás deles por quelhos manhosos em direcção aos curtumes. Entramos pela arrecadação de uma loja e subimos 2 ou 3 andares de escadas até chegar ao terraço onde se avistavam os curtumes. Embora a meio gás, uma vez que era 6ªf, dia de descanso, lá estavam meia dúzia de marroquinos, cada um no seu tanque colorido e mal cheiroso, a tingir as peles. Ficamos a saber que o tingimento amarelo é o mais caro pois usa açafrão e que existe uma certa rivalidade com os curtumes de Marraquexe, já que os primeiros acham que são, de longe, melhores artesãos que os segundos.






Penso que teremos ficado sentados naquele terraço a falar com os rapazes e a tomar chá de menta (ou whisky marroquino, como eles lhe chamam) por mais de 1 h. O que fumava haxe sonhava em ir para a Alemanha trabalhar, o estudante de língua espanhola queria ficar em Marrocos, ser guia oficial e casar. Uma coisa é certa, ambos partilhavam as nossas preocupações em relação ao futuro!! Já na hora de ir embora ficamos a saber que eles poderiam ir passar uma noite à cadeia se fossem apanhados a servir de guias, aqui chamados de falsos guias. Muito discretamente, metemos-lhes 15 dirhams na mão e agradecemos-lhes pelo chá e por aquela tarde bem passada.



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

[Exploring Morocco] the Blues of Chefchaouen

Recordo com carinho a última vez que pisei solo árabe africano, há alguns anos atrás. Duas parecenças imediatas: a caoticidade do trânsito e o amor à bandeira nacional.  
Depois de aprendermos todo um novo conceito de ultrapassagens em estradas nacionais lá chegamos a Chefchaouen. Não só é a cidade azul, mas também a cidade dos gatos e dos Mohameds. O Mohamed andou atrás de nós sensivelmente meia hora até receber o pagamento que ele considerava adequado para o seu serviço de guia, transportador de bagagem e vigia nocturno da moto. Infelizmente para nós, só notas se adequavam! Quando nos livramos do Mohamed, fomos almoçar num restaurante tradicional e pacato. Aí apareceram os gatos, "outros Mohameds" diz o Ruben. Escanzelados e remelentos ficaram a encarar o meu cordeiro até desaparecer do prato. No final da refeição já eram 7 os "Mohameds".





O resto da tarde passou a correr, entre subidas e descidas em ruelas azuis (turquesa, violeta, celeste, marinho e todas as outras tonalidades que as mulheres têm tendência a dar nome), entre festas a gatos, fotografias e Mohameds com o seu discurso habitual "Italianos?!" "No, Portugueses." "Ahh, queres queres, não queres, não queres!!". Rimo-nos e prosseguimos caminho.

Hoje cedo, quando abri o porta do quarto, saltou um gato felpudo para dentro. Com alguma relutância, lá saiu do quarto e ainda permitiu que lhe tirasse uma foto de perfil. Minutos mais tarde, já de saída, um gatinho raquítico com não mais de dois meses saltou para o capacete pousado no chão. A vontade era traze-lo; mas lá ficou e nós seguimos rumo a Meknès.









sábado, 29 de agosto de 2015

[Exploring Morocco] travel essentials

Faltando apenas 3 dias para o início da aventura, os essenciais de viagem já começam a ganhar lugar na bagagem! Eu e o Ruben sairemos em direcção a Marrocos, de moto, numa aventura que nos levará a percorrer quase 4000 km durante 2 semanas. 
A roupa ocupará pouco espaço e as bolsinhas serão substituídas pela mochila, mas o tablet, a máquina fotográfica e as lentes [a minha queridinha 14-150 mm, e a minha novíssima 50 mm f/1.8 para retratos] têm sempre o seu lugarzinho reservado.
Desceremos até Marraquexe pelo interior passando por Chefchaouen, a conhecida cidade azul, visitaremos os curtumes de Fez, acordaremos no Sahara para ver o nascer do sol e atravessaremos a famosa cordilheira do Atlas. Após a saída de Marraquexe, regressaremos pela costa, mas não antes de passar pelas maravilhosas cascatas de Ouzoud. 
Esperam-nos dias longos e imprevisíveis mas também extraordinários, enriquecedores e cativantes
Espero eu manter-vos cativados! 


sábado, 15 de agosto de 2015

counting down


Faltam exactamente 15 dias. Fifteen days to go.
A contagem decrescente começou! Countdown has just begun!